A Era da Presença: por que o funil não explica mais o comportamento do consumidor

O funil não explica mais como o consumidor decide. Entenda a Era da Presença e por que marcas precisam pensar em sistemas, não etapas.

ESTRATÉGIA & POSICIONAMENTO

Camila Frutuoso

1/7/20262 min read

Durante décadas, o funil de marketing foi tratado como verdade absoluta. Uma jornada linear, previsível e confortável para quem planeja estratégias. Ele organizou processos, metas e indicadores. Funcionou por muito tempo, até deixar de funcionar.

O problema não surgiu de repente. Ele se acumulou silenciosamente, à medida que o comportamento do consumidor se tornava mais complexo, menos previsível e profundamente influenciado por contexto, emoção e repertório cultural.

Hoje, decisões não seguem etapas claras, não respeitam ordem e raramente acontecem dentro de um único canal. A atenção é fragmentada, distribuída entre múltiplos estímulos e marcada pela repetição simbólica: o consumidor decide quando algo faz sentido o suficiente para ser escolhido.

É nesse cenário que surge a Era da Presença, um novo paradigma que exige menos controle e mais coerência.


O problema do funil não é tático. É estrutural.

O funil parte de pressupostos que já não existem no comportamento real do consumidor:

  • Jornadas lineares

  • Controle da narrativa pela marca

  • Sequência previsível de decisões

  • Atenção concentrada em poucos pontos

Na prática, o consumidor transita entre estímulos o tempo todo. Ele encontra marcas nas redes sociais, em conteúdos de creators, em buscas orgânicas, em comunidades, reviews, indicações informais e experiências passadas.

A compra não acontece quando alguém “chega ao fundo do funil”, mas quando existe acúmulo de confiança. Esse acúmulo não se constrói em uma etapa específica, mas ao longo do tempo, por meio de presença consistente.


A atenção deixou de ser linear

Algoritmos, feeds personalizados e sistemas de recomendação criaram um ambiente de exposição contínua. O consumidor não “entra” em jornadas, ele é atravessado por estímulos o tempo todo.

Nesse contexto, decisões podem acontecer antes mesmo de seguir uma marca, baixar um material ou entrar em qualquer fluxo tradicional. Muitas vezes, a escolha acontece antes da conversão visível.

Por isso, a pergunta estratégica muda completamente.
Não é mais “em que etapa meu cliente está?”, mas: em quantos momentos a minha marca é lembrada, reconhecida e considerada confiável?


O que vem no lugar do funil

Na Era da Presença, marketing deixa de ser condução e passa a ser atração sustentada. Não se trata de empurrar mensagens, mas de construir um sistema de comunicação capaz de manter a marca em órbita constante.

Presença estratégica envolve:

  • Coerência entre discurso e prática

  • Narrativa clara e reconhecível

  • Pontos de contato integrados

  • Constância ao longo do tempo

Marcas presentes não disputam atenção em picos. Elas constroem familiaridade, reconhecimento e sentido.


Quando presença se torna critério de escolha

O funil não morreu por falha operacional. Ele deixou de existir porque não representa mais a realidade. A Era da Presença exige outro nível de maturidade estratégica: menos pressão, mais sistema. Menos volume, mais sentido.

Se essa reflexão fez sentido, talvez você já tenha percebido que marketing não é mais sobre etapas. É sobre presença.

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